Modelo de Petição: Indenizatória - abandono afetivo - Novo CPC - Justiça Gratuita

AO JUÍZO DA VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE     menor nascido em     neste ato representado por sua genitora      brasileira   inscrita no CPF sob nº residente e domiciliado na na cidade de              vem à presença de Vossa Excelência por seu representante constituído propor

Ação indenizatória por abandono afetivo Danos Morais

em face de     inscrito no CPF sob nº    residente e domiciliado na  na cidade de          pelos fatos e motivos que passa a expor.

BREVE SÍNTESE

O Autor é       e objetiva por meio da presente ação o reconhecimento do abandono afetivo e consequente indenização por danos morais    . O Réu apesar de ter plena ciência do vínculo paterno com o Autor vem reiteradamente negando a sua responsabilidade de auxiliar na criação do filho agindo como se o mesmo nunca tivesse existido o que se demonstrará pelas provas que pretende produzir. Tais condutas afetam diretamente a formação da criança que apesar de buscar incessantemente pelo apoio do pai nunca teve qualquer amparo causando      . Previamente a interposição da ação houve a tentativa de resolução dos fatos junto ao Réu sem êxito pelo contrário     razão pela qual move a presente ação.  A simples ausência não configura por si só o dever de indenizar. Portanto a prova de algum abalo ou dano é indispensável e este dano deve estar diretamente relacionado ao abandono. EMENTA Responsabilidade civil. Danos morais decorrente de abandono afetivo. Pretensão à indenização. Desacolhimento. Necessidade de efetiva demonstração do nexo de causalidade entre a alegada omissão do genitor e o dano dela decorrente. Provas que demonstram participação familiar. Sentença mantida. Recurso desprovido. TJ-SP 00121054620138260004 - 24/08/2017 DO DEVER DE INDENIZAR PELO ABANDONO AFETIVO O direito do Autor vem primordialmente amparado pelos princípios do   Estatuto da Criança e do Adolescente segundo  o qual o pai ou mãe que não retém a guarda do filho também possui obrigações de cuidado manutenção e educação além do exclusivo amparo pecuniário. O pagamento isolado da pensão alimentícia não encerra o cumprimento das obrigações de pai ou mãe sendo a convivência e assistência moral deveres indispensáveis à construção da personalidade equilibrada do filho exigindo de ambos os pais atenção presença e orientação. Não se trata de falta de amor trata-se da negativa  de amparo da negativa real e consciente de garantir assistência moral e psíquica trata-se do descaso com as reais necessidades íntimas e primárias em prejuízo da formação de uma criança. Ausente o papel de pai na vida da criança. Responsabilidade esta que se traduz no dever de cuidar criar educar e acompanhar assegurando a dignidade da pessoa humana e a proteção dos interesses da criança e adolescente. Este dever de cuidado decorrente do poder familiar quando ignorado desdobra-se em ato ilícito devendo ser indenizado. Ou seja diante do     como já destacado anteriormente o Autor tem direito ao reconhecimento do abandono afetivo conforme precedentes sobre o tema no STJ " Aqui não se fala ou se discute o amar e sim a imposição biológica e legal de cuidar que é dever jurídico corolário da liberdade das pessoas de gerarem ou adotarem filhos " argumentou a ministra. RESP 1159242 . Nesse sentido DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. REPRESENTAÇÃO POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. DESCUMPRIMENTO DOS DEVERES INERENTES AO PODER FAMILIAR.  PROCEDÊNCIA.  Art. 249 do ECA. Aplicação de pena de multa de 03 três salários mínimos bem como as medidas protetivas previstas no art. 129 I e VII da Lei 8069/90. Recurso. Descabimento. Acervo probatório que indica a negligência do genitor em relação ao seu filho. Estudos psicossociais e relatórios do Conselho Tutelar evidenciaram o  abandono afetivo  e material. Violação dos deveres inerentes ao poder familiar. Arts. 227 da CRFB/88 e arts. 22 e 249 do ECA. Correta a aplicação da multa pecuniária que tem por escopo principal a função pedagógica. O valor da multa aplicada merece ser mantido. Precedentes jurisprudenciais desta Corte " A situação de hipossuficiência dos apelantes não os desobriga de cumprir seus deveres inerentes ao poder familiar tampouco os exige de sofrer as penalidades decorrentes do descumprimento" . Des. Mônica Sardas 0024270-77.2014.8.19.0007 - Apelação - Julgamento 20/09/2017 - Vigésima Câmara Cível Desprovimento do recurso. TJRJ APELAÇÃO 0001089-79.2015.8.19.0082 Relator a NAGIB SLAIBI FILHO SEXTA CÂMARA CÍVEL Julgado em 21/03/2018 Publicado em 27/03/2018 AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MORAIS - ABANDONO PATERNO - VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - NOVA CONFIGURAÇÃO DA ENTIDADE FAMILIAR - DEVERES DOS PAIS - ART. 227 DA CONSTITUIÇÃO - ART. 1.634 I E II DO CÓDIGO CIVIL - A família atual deve se preocupar com o livre desenvolvimento da personalidade de cada um dos seus membros sendo um ente funcionalizado onde todos têm o objetivo de promover o livre desenvolvimento dos demais membros. - Nesse contexto em que a família torna-se o centro de desenvolvimento da personalidade de cada um de seus membros a conduta do pai que abandona seu filho revela-se violadora dos seus direitos uma vez que o art. 227 da Constituição inclui no rol dos direitos da criança e do adolescente a convivência familiar. - O pai que deixa de prestar a assistência afetiva moral e psicológica a um filho violando seus deveres paternos pratica uma conduta ilícita ensejadora de reparação no campo moral. TJMG - APELAÇÃO CÍVEL N° 1.0251.08.026141-4/001 - COMARCA DE EXTREMA - RELATOR DES. ALVIMAR DE ÁVILA Com esse enfoque é altamente ilustrativo trazer à colação o magistério de Maria Berenice Dias in verbis “A lei obriga e responsabiliza os pais no que toca aos cuidados com os filhos. A ausência desses cuidados o abandono moral viola a integridade psicofísica dos filhos nem como principio da solidariedade familiar valores protegidos constitucionalmente. Esse tipo de violação configura dano moral. E quem causa dano é obrigado a indenizar. A indenização deve ser em valor suficiente para cobrir as despesas necessárias para que o filho possa amenizar as seqüelas psicológicas.” DIAS Maria Berenice Manual de Direito das Famílias. 9ª edição Editora RT 2017. Versão ebook cap. 27.13 - Proteção dos Filhos - Dano afetivo .  Portanto outro não poderia ser o entendimento se não o necessário provimento da presente ação reconhecendo o abandono afetivo por parte      com a necessária condenação a danos morais. DAS PROVAS QUE PRETENDE PRODUZIR Provas indispensáveis à comprovação da violação de um dever jurídico mediante conduta voluntária um elemento subjetivo que pode ser o dolo ou a culpa e ainda um elemento causal-material que é o dano e a respectiva relação de causalidade. O Autor pretende instruir seus argumentos com as seguintes provas a Documental comprovando a filiação do Autor ao réu Certidão de Nascimento b Depoimento pessoal do Réu para esclarecimentos sobre b Oitiva de testemunhas cujo rol será depositado em Cartório na devida oportunidade para fins de demonstrar a conduta voluntária do réu em negligenciar o seu dever de cuidado e afeto c A juntada dos documentos em anexo em especial   a troca de e-mails evidenciando o descaso do Réu publicações das redes sociais evidenciando a relação do réu com os demais filhos d Análise psicossocial do Autor evidenciando os danos psicológicos causados pelo abandono IMPORTANTE Incumbe à parte instruir a petição inicial com todos os documentos destinados a provar suas alegações. Art. 434. CPC. Só serão admitidos documentos posteriormente se devidamente provada a inacessibilidade há época da distribuição. Art. 435 Parágrafo Único.

DA TUTELA DE URGÊNCIA

Neste tópico devem ser tratados pontualmente os requisitos das tutelas provisórias e de urgência previstas nos arts. 294 a 311 do CPC. Nos termos do Art. 300 do CPC/15 " a tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo." No presente caso tais requisitos são perfeitamente caracterizados vejamos A PROBABILIDADE DO DIREITO resta caracterizada diante da demonstração inequívoca de que . Assim conforme destaca a doutrina não há razão lógica para aguardar o desfecho do processo quando diante de direito inequívoco " Se o fato constitutivo é incontroverso não há racionalidade em obrigar o autor a esperar o tempo necessário à produção da provas dos fatos impeditivos modificativos ou extintivos uma vez que o autor já se desincumbiu do ônus da prova e a demora inerente à prova dos fatos cuja prova incumbe ao réu certamente o beneficia." MARINONI Luiz Guilherme. Tutela de Urgência e Tutela da Evidência. Editora RT 2017. p.284 Já o RISCO DA DEMORA fica caracterizado pela ou seja tal circunstância confere grave risco de perecimento do resultado útil do processo. Por fim cabe destacar que o presente pedido NÃO caracteriza conduta irreversível não conferindo nenhum dano ao Réu. Diante de tais circunstâncias é inegável a existência de fundado receio de dano irreparável sendo imprescindível a nos termos do Art. 300 do CPC.

DA JUSTIÇA GRATUITA

O Requerente atualmente trabalha como tendo sob sua responsabilidade a manutenção de sua família razão pela qual não poderia arcar com as despesas processuais. Para tal benefício o Requerente junta declaração de hipossuficiência e comprovante de renda os quais demonstram a inviabilidade de pagamento das custas judicias sem comprometer sua subsistência conforme clara redação do Código de Processo Civil de 2015 Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial na contestação na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso. § 1 o Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância o pedido poderá ser formulado por petição simples nos autos do próprio processo e não suspenderá seu curso. § 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade devendo antes de indeferir o pedido determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos. § 3º Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural. Assim por simples petição sem outras provas exigíveis por lei faz jus o Requerente ao benefício da gratuidade de justiça AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES PARA AFASTAR A BENESSE. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. CABIMENTO. Presunção relativa que milita em prol da autora que alega pobreza. Benefício que não pode ser recusado de plano sem fundadas razões. Ausência de indícios ou provas de que pode a parte arcar com as custas e despesas sem prejuízo do próprio sustento e o de sua família. Recurso provido. TJ-SP 22234254820178260000 SP 2223425-48.2017.8.26.0000 Relator Gilberto Leme Data de Julgamento 17/01/2018 35ª Câmara de Direito Privado Data de Publicação 17/01/2018 AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. CONCESSÃO. Presunção de veracidade da alegação de insuficiência de recursos deduzida por pessoa natural ante a inexistência de elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão da gratuidade da justiça . Recurso provido. TJ-SP 22259076620178260000 SP 2225907-66.2017.8.26.0000 Relator Roberto Mac Cracken 22ª Câmara de Direito Privado Data de Publicação 07/12/2017 A assistência de advogado particular não pode ser parâmetro ao indeferimento do pedido AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. HIPOSSUFICIÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA INCAPACIDADE FINANCEIRA. REQUISITOS PRESENTES. 1. Incumbe ao Magistrado aferir os elementos do caso concreto para conceder o benefício da gratuidade de justiça aos cidadãos que dele efetivamente necessitem para acessar o Poder Judiciário observada a presunção relativa da declaração de hipossuficiência. 2. Segundo o § 4º do art. 99 do CPC não há impedimento para a concessão do benefício de gratuidade de Justiça o fato de as partes estarem sob a assistência de advogado particular. 3. O pagamento inicial de valor relevante relativo ao contrato de compra e venda objeto da demanda não é por si só suficiente para comprovar que a parte possua remuneração elevada ou situação financeira abastada. 4. No caso dos autos extrai-se que há dados capazes de demonstrar que o Agravante não dispõe no momento de condições de arcar com as despesas do processo sem desfalcar a sua própria subsistência. 4. Recurso conhecido e provido. TJ-DF 07139888520178070000 DF 0713988-85.2017.8.07.0000 Relator GISLENE PINHEIRO 7ª Turma Cível Data de Publicação Publicado no DJE 29/01/2018 Assim considerando a demonstração inequívoca da necessidade do Requerente tem-se por comprovada sua miserabilidade fazendo jus ao benefício. Por tais razões com fulcro no artigo 5º LXXIV da Constituição Federal e pelo artigo 98 do CPC requer seja deferida a gratuidade de justiça ao requerente.

DOS PEDIDOS

Por todo o exposto REQUER   A concessão da gratuidade de justiça nos termos do art. 98 do Código de Processo Civil O deferimento da medida liminar/antecipação de tutela etc.. para      A citação do Réu para responder querendo A total procedência da ação para reconhecer o abandono afetivo por parte dos Réus condenado à indenização por danos morais no montante de     A produção de todas as provas admitidas em direito em especial a       Seja requisitada a intervenção do Ministério Público A condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios nos parâmetros previstos no art. 85 §2º do CPC Desde já manifesta seu interesse na audiência conciliatória nos termos do Art. 319 inc. VII do CPC. Dá-se à causa o valor de R$     Nestes termos pede deferimento      OAB/   ANEXOS Documentos de identidade do Autor RG CPF Comprovante de Residência Procuração Declaração de Pobreza Provas da ocorrência Provas da tentativa de solução direto com o réu Provas da negativa de solução Ao chegar ao final da inicial revise uma duas vezes a peça. De preferência passe para um colega revisar evitando a leitura " viciada" daquele que elabora a ação. Seja objetivo e destaque os elementos necessariamente relevantes de forma que direcione o julgador aos fatos que influenciem de fato à conclusão do direito. Se houver alguma nova dica nos envie!! Colabore com a continuidade desta plataforma.  
ATENÇÃO: Certifique-se sempre da vigência dos artigos legais referidos - a alteração de um dispositivo legal pode alterar embasamentos, suportes fáticos e prazos, podendo comprometer sua atuação.

Comentários

Muito bom mesmo esse modelo, em tudo que eu precisava!
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Que tipos de provas podemos trazer ao processo para evidenciar o abandono afetivo?
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@Silvana Bitencourt:
Estou com uma futura ação, onde o pai se negou ao reconhecimento de paternidade, também, nesse caso, acho eu, que fica mais evidente o abandono afetivo, o rapaz já é maior mas carrega a pecha de filho ilegítimo.
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@Silvana Bitencourt:
A apresentação da falta de suporte psíquico, psicológico, financeiro (alimentos) e também os gravídicos (no caso de gestantes), doenças emocionais e psicoemocionais como vitiligo, diabetes, psoríase, bipolaridade, esquisofrenia, entre outras. São pontos de comprovação do abandono afetivo.
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Muito obrigada Dr.! A relação com doenças emocionais é algo que não tinha ainda. 
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@Silvana Bitencourt:
Que bom saber que pude ajudá-la.
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Muito bom! Este tipo de ação tem obtido êxito no judiciário? Encontrei poucos precedentes favoráveis. Há algum elemento definidor? Ou vai depender da sensibilidade e valores de cada julgador?
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@Silvana Bitencourt:
vai depender da sensibilidade e valores de cada julgador! inclusive o julgador irá analisar as condições financeiras do suposto pai.. entretanto nada impede de requerer aos avós paternos o dever de alimentos ao neto!
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